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Inteligência ArtificialPor Nikolas Nunes Fernandes

Agentes de IA São Prioridade Estratégica em 2026, mas Poucas Empresas Sabem Escalar

Equipe de tecnologia em reunião de estratégia, todos com laptops abertos, ouvindo apresentação sobre priorização de projetos

Agentes de inteligência artificial (IA) subiram para o topo da agenda corporativa no Brasil. Segundo o estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”, da ABES com dados da IDC, 53% dos executivos brasileiros já apontam agentes de IA e IA generativa como prioridade estratégica número um para 2026 — à frente de segurança da informação (41%) e infraestrutura de nuvem (24%). O problema é que prioridade no discurso e prontidão para produção são coisas muito diferentes.

O que os números da ABES/IDC realmente mostram

A pesquisa, que ouviu 103 executivos brasileiros dentro de uma amostra de 507 na América Latina, encontrou que 40% das empresas já investem em agentes de IA e outras 33% pretendem iniciar projetos nos próximos 12 meses — mais de 70% das organizações com algum plano concreto, segundo a Mobiletime. Só que apenas 57% dos respondentes afirmam entender claramente os próprios objetivos com IA, e os indicadores de capacidade de execução ficam abaixo de 40%.

Esse hiato entre intenção e execução não é exclusividade brasileira. A McKinsey encontrou que apenas 23% das organizações globais estão de fato escalando um sistema de IA agêntica em ao menos uma função de negócio — mesmo com 88% já usando IA em algum grau e 72% usando IA generativa. E a Gartner vai além: projeta que 40% das aplicações corporativas terão agentes de IA para tarefas específicas até 2026, mas mais de 40% dos projetos de IA agêntica devem ser abandonados até 2027 por problemas de governança e controle.

O gargalo não é o modelo de IA — é o legado

Segundo o próprio levantamento da ABES/IDC, os principais obstáculos citados pelas empresas não têm nada de exótico: qualidade dos dados, modernização de sistemas legados, governança, escalabilidade dos projetos e escassez de profissionais especializados. São, na prática, os mesmos desafios clássicos de qualquer projeto de modernização de software — só que agora com um agente de IA tentando operar em cima dessa base.

Um dado da Startupi, baseado no “Panorama da IA no Brasil 2025” da Zappts, reforça o ponto: cerca de 62% das organizações globais já testam agentes de IA em algum nível, mas menos de 10% conseguem transformar essa experimentação em impacto real e mensurável no negócio. A diferença entre os dois grupos raramente está no modelo escolhido — está em quem tem dados organizados, arquitetura pronta e processos de governança definidos antes de colocar o agente para rodar.

Do piloto à produção: o que muda na prática

Empresas que conseguem sair do piloto costumam tratar três frentes antes de escalar um agente de IA:

  • Qualidade e integração de dados — o agente só é tão bom quanto os sistemas que ele consulta, o que exige integração real com bases legadas, não apenas uma API por cima delas.
  • Governança desde o design — definir quem aprova quais ações do agente, com que nível de autonomia, antes de liberar em produção, não depois de um incidente.
  • Capacidade técnica dedicada — squads com experiência em modernização e IA aplicada, seja internamente ou via parcerias de staff augmentation e nearshore, para não competir por talento escasso o tempo todo.

O contexto financeiro também pressiona essa decisão: grandes empresas de tecnologia devem fechar 2026 com cerca de US$ 570 bilhões em dívida ligada a infraestrutura de IA, segundo estimativas do Morgan Stanley. Para empresas médias e grandes no Brasil, isso reforça que a corrida por agentes de IA exige disciplina orçamentária — apostar em execução estruturada rende mais do que multiplicar ferramentas isoladas.

O que fica claro para 2026

O Brasil segue a mesma curva do resto do mundo: adoção rápida no discurso, escala lenta na prática. A diferença entre as empresas que vão converter os 53% de prioridade estratégica em resultado real e as que vão ficar presas em pilotos está na base — dados organizados, sistemas modernizados e governança definida antes de multiplicar agentes de IA pela operação. Sua empresa já mapeou esses três pontos antes de expandir o próximo projeto de IA?