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Inteligência ArtificialPor Rodrigo Gardin

Crise da Memória RAM em 2026: o Que Ela Custa para o Orçamento de TI

Close-up de dois módulos de memória RAM com circuito impresso verde, ilustrando o hardware no centro da crise de preços de memória em 2026

Sua empresa não treina modelos de IA nem compra GPUs, mas está pagando a conta da corrida por infraestrutura de IA mesmo assim. Entre 2025 e 2026, o preço de memória DRAM disparou a ponto de redefinir o custo de qualquer equipamento com um chip de memória dentro: notebooks, servidores, storage. A causa é conhecida: data centers de hiperescala reservando capacidade de fábrica para treinar e rodar modelos. O efeito prático para quem gerencia orçamento de TI corporativo, no entanto, ainda está sendo dimensionado. Este artigo reúne os números concretos dessa crise e o que ela significa para o planejamento de compras de hardware nos próximos trimestres.

A escala do aumento de preço

Os números do primeiro semestre de 2026 são incomuns mesmo para um mercado historicamente cíclico como o de memória. Segundo a Gartner, os preços de contrato de DRAM tiveram a maior alta trimestral já registrada no primeiro trimestre de 2026, entre 90% e 95% em relação ao trimestre anterior. A consultoria projeta que a alta combinada de DRAM e SSD chegue a 130% até o final do ano em relação a 2025, repassada em +17% no preço médio de PCs e +13% no de smartphones.

No varejo, o efeito já é mensurável. Um kit de memória DDR5 de 32 GB que custava cerca de US$ 80 em meados de 2025 chegou a US$ 439 em junho de 2026, segundo levantamento do Canaltech, alta superior a 400%. Notebooks intermediários passaram de aproximadamente US$ 900 para mais de US$ 1.200, e a memória hoje representa até 35% do custo total dos componentes de um PC, quando historicamente essa fatia era bem menor.

Pela ótica trimestral, o ritmo de alta segue firme: a Tom’s Hardware reporta que os preços de contrato de DRAM devem subir entre 13% e 18% no terceiro trimestre de 2026 e os de NAND Flash entre 10% e 15%. É uma desaceleração frente aos saltos de cerca de 60% registrados no trimestre anterior, mas ainda uma trajetória de alta, não de estabilização.

Por que a IA está no centro do problema

A causa não é uma disrupção pontual de oferta, como na crise de chips da pandemia. É uma realocação estrutural de capacidade produtiva. Segundo o Avnet, o crescimento da oferta global de DRAM em 2026 é estimado em apenas 16% ao ano, e o de NAND em 17%, bem abaixo da faixa histórica de 20% a 30%, porque fabricantes redirecionaram linhas de produção para HBM (High Bandwidth Memory), o tipo de memória usado em aceleradores de IA.

A concentração de capacidade em poucos contratos de grande porte agrava o quadro. Reportagens citadas pelo Olhar Digital indicam que Samsung e SK Hynix teriam comprometido até 40% da produção global de DRAM para um único projeto de infraestrutura de IA ligado à OpenAI, com preços de módulos DDR5 chegando a triplicar ou quadruplicar desde setembro de 2025. Estimativas do setor, reunidas pela Octopart, chegam a apontar que data centers de IA podem consumir até 70% da produção de DRAM de ponta em 2026, uma inversão em relação a ciclos anteriores, nos quais o consumo corporativo era minoritário frente ao consumo de eletrônicos de consumo.

O impacto direto no orçamento de TI

Para quem planeja compras de hardware corporativo, o efeito já apareceu nas projeções de mercado. A Gartner estima queda de 10,4% nos embarques globais de PCs em 2026 em razão da escalada de preços de memória, sinal de que empresas e consumidores já estão reagindo com retenção de equipamento, não substituição. Segundo a Channelweb, a recomendação prática da consultoria é que orçamentos corporativos de PC aumentem entre 8% e 12% para manter o mesmo volume de máquinas adquiridas, ou que as empresas estendam o ciclo de vida do parque já instalado como alternativa.

É exatamente esse segundo caminho que a própria Gartner projeta como tendência: o ciclo de vida médio de PCs corporativos deve aumentar cerca de 15% em 2026 (20% no caso de consumidores), à medida que a troca de equipamento é adiada. Para times de TI, isso significa repensar prioridades de renovação, negociar contratos de fornecimento mais longos e revisar o dimensionamento de memória em projetos de infraestrutura, de servidores locais a ambientes de nuvem privada, antes de assumir que os preços do orçamento do ano passado ainda valem.

Quanto tempo isso deve durar

As projeções de recuperação de oferta divergem, mas nenhuma aponta para curto prazo. A Micron declarou que a escassez de memória RAM deve perdurar além de 2026, segundo o Tecnoblog. O Canaltech situa o início de uma eventual recuperação apenas a partir do final de 2027. Já projeções internas do setor citadas pelo Olhar Digital são ainda mais conservadoras: apontam escassez até 2027, com preços permanecendo altos, ou subindo ainda mais, por dois anos além disso.

Na prática, o planejamento de TI para os próximos 12 a 24 meses precisa assumir que o custo de memória continuará estruturalmente mais alto do que o histórico recente, e não como uma anomalia passageira que se resolve no próximo trimestre.

O que times de TI podem fazer agora

Diante desse cenário, algumas decisões concretas ajudam a reduzir a exposição ao aumento de custo:

  • Revisar o ciclo de renovação de hardware e avaliar extensão de vida útil de equipamentos que ainda atendem aos requisitos de performance
  • Negociar contratos de fornecimento de médio prazo com fabricantes ou revendedores para reduzir exposição à volatilidade trimestral de preço
  • Reavaliar o dimensionamento de memória em projetos de infraestrutura antes de assumir orçamentos definidos com base em preços de anos anteriores
  • Priorizar otimização de uso de memória em aplicações e arquiteturas existentes, reduzindo a necessidade de upgrades imediatos de hardware

Conclusão

A crise de memória de 2026 não é um problema isolado da indústria de hardware. É um custo estrutural que já chegou ao orçamento de qualquer empresa que compra notebooks, servidores ou infraestrutura de nuvem privada. Os números mostram um padrão consistente: alta de preço acelerada, oferta redirecionada para IA e nenhuma fonte apontando recuperação antes de 2027. Times de TI que tratarem isso como planejamento orçamentário, e não como imprevisto, vão navegar os próximos trimestres em posição bem mais confortável. Se sua empresa está reavaliando investimentos em infraestrutura, modernização de sistemas ou arquitetura de TI diante desse novo cenário de custos, a equipe da Luby pode ajudar a planejar essa transição com decisões técnicas embasadas em dados.