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Inteligência ArtificialPor Nikolas Nunes Fernandes

Gasto Global com IA Bate US$ 2,5 Tri, mas Brasil Ainda Engatinha

Corredor de data center com racks de servidores — infraestrutura por trás do investimento global em IA

A Gartner confirmou: o mundo vai gastar US$ 2,52 trilhões em inteligência artificial em 2026, um salto de 44% sobre o ano anterior. É quase o PIB de um país de porte médio movimentado em data centers, software e serviços de IA em um único ano. No Brasil, agentes de IA já são prioridade estratégica para mais da metade das lideranças de tecnologia. O problema é que prioridade no papel e execução real são coisas muito diferentes. E é aí que a maioria das empresas brasileiras está travada.

Os números por trás dos US$ 2,5 trilhões

Do total projetado pela Gartner para 2026, US$ 1,36 trilhão vai para infraestrutura, ou seja, construção de data centers e capacidade computacional. Outros US$ 588 bilhões são serviços de IA e US$ 452 bilhões, software. Para 2027, a expectativa é que o mercado chegue a US$ 3,33 trilhões.

A fatia brasileira desse bolo também cresce: segundo a IDC, o país deve concentrar cerca de 41,7% do mercado latino-americano de IA em 2026, movimentando aproximadamente US$ 4,2 bilhões em investimentos. O dinheiro está entrando. A dúvida é se as empresas estão preparadas para transformá-lo em resultado.

O paradoxo brasileiro: prioridade alta, maturidade baixa

Agentes de IA e IA generativa lideram a agenda estratégica de 53% das empresas brasileiras para 2026, segundo a IDC. Isso é discurso consistente: 64% dos líderes acreditam que a adoção de agentes vai acelerar ainda mais ao longo do ano.

Só que a execução não acompanha o discurso. 72% das empresas brasileiras ainda estão em estágio inicial ou experimental de adoção de IA. E o dado mais revelador vem de um cruzamento de pesquisas independentes da EY Brasil, Gartner e Deloitte publicadas entre abril e maio de 2026: apenas entre 7% e 8% das empresas demonstram maturidade efetiva em governança de agentes de IA. Mais da metade das empresas, 57%, nem sequer tem orçamento dedicado para a área.

Por que isso vai além de orçamento

Se o dinheiro está disponível globalmente e a prioridade está definida internamente, por que a maturidade continua tão baixa? A resposta está nos gargalos operacionais que aparecem antes de qualquer linha de código de um agente de IA entrar em produção:

  • Dados sujos ou desorganizados, quando o agente precisa de informação limpa e estruturada para funcionar
  • Sistemas legados que exigem refatoração de verdade, não apenas uma API nova plugada por cima
  • Falta de controle claro sobre o que o agente pode e não pode fazer sozinho, com auditoria de cada ação
  • Dificuldade de sair do piloto isolado para uma operação que sustenta vários agentes rodando ao mesmo tempo
  • Poucos profissionais no mercado que sabem construir e operar esses sistemas com segurança

O reflexo direto disso aparece na força de trabalho: 60% das empresas não estão prontas para operar equipes híbridas, combinando pessoas e agentes de IA no mesmo fluxo de trabalho. A régua de exigência sobe, e quem não se preparar fica para trás na próxima rodada de investimento.

O que fazer com esse gap agora

O erro mais comum é tratar esse cenário como um problema de orçamento, quando na prática é um problema de execução. Os US$ 2,5 trilhões globais não resolvem sozinhos a qualidade dos dados de uma empresa nem modernizam um sistema legado. Isso exige decisão técnica, arquitetura bem pensada e, na maioria dos casos, um parceiro que já passou por esse tipo de implementação antes. É mais barato aprender com quem já errou do que repetir o mesmo erro em produção.

Empresas que fecham esse gap primeiro não são as que mais gastam em IA, e sim as que resolvem governança, dados e legado com mais disciplina antes de escalar agentes. A pergunta não é mais se vale a pena investir em IA. É se a sua empresa está entre os 8% com governança madura, ou entre os 72% ainda travados no estágio inicial.