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Inteligência ArtificialPor Nikolas Nunes Fernandes

Google Workspace com Gemini: Automação de IA nas Empresas em 2026

Equipe colaborando ao redor de uma mesa com laptops em ambiente corporativo

O Grupo Dreamers — holding de comunicação com 21 empresas, entre elas Artplan, A-Lab, Lovely e YouDare — acaba de integrar o Gemini Enterprise ao Google Workspace para cerca de 2 mil colaboradores, projetando ganho de produtividade de 40% ao reduzir tempo gasto em tarefas operacionais. É o tipo de caso que sustenta o discurso de automação corporativa que o Google reforçou no evento “Google for Brasil 2026”. Mas os números por trás da adoção geral de IA no país contam uma história mais dividida — e vale entender os dois lados antes de decidir quanto investir.

O que o Google anunciou para o Brasil

No Google for Brasil 2026, realizado em junho, a empresa anunciou a chegada do Gemini ao Chrome no país (modelo Gemini 3.1, integrado a Gmail, Agenda, Maps e YouTube) e o programa “Negócios em dIA” — parceria com Sebrae, Itaú e Tera para treinar mais de 1 milhão de pequenas e médias empresas em ferramentas de IA. O ecossistema Google já gerou 150 mil empregos e contribuiu com R$ 6 bilhões ao PIB brasileiro em 2025, segundo dados apresentados no evento.

O paradoxo da adoção corporativa

Os números de adoção real são mais modestos do que a comunicação de eventos sugere. Uma pesquisa da FGV-EAESP mostra que 80% das empresas brasileiras dizem usar IA, mas 75% delas usam “muito pouco”. No ranking de ferramentas, o Microsoft Copilot lidera com 40% de adoção, o ChatGPT aparece com 32% e o Google Gemini fica em terceiro, com 20%. Uma pesquisa separada da Abiacom reforça o quadro: 72% das empresas brasileiras ainda estão em estágio iniciante ou experimental de adoção de IA, e 59,1% não têm diretrizes formais para o uso da tecnologia.

Onde a automação já funciona

O caso do Grupo Dreamers ilustra o que separa a minoria que avança da maioria que ainda experimenta. O “Projeto Aurora”, programa de transformação digital do grupo, combinou Gemini Enterprise com Workspace para automatizar tarefas operacionais em 21 empresas, liberando tempo das equipes para criatividade e análise — não apenas trocar um chat por outro, mas redesenhar fluxos de trabalho inteiros em torno da IA. É consistente com o que mostra o IDC Enterprise Survey Brazil: 53% dos executivos de TI apontam IA generativa e agentes como prioridade número um para 2026, e 67% dizem que suas empresas já passaram da fase de experimentação. O gargalo, segundo o mesmo levantamento, é medir o retorno: apenas 28% conseguem calcular o ROI dessas iniciativas de forma eficiente.

Produtividade sem governança é risco, não ganho

Antes de acelerar a adoção, há um dado que merece atenção: o Netskope Threat Labs Report Brasil 2026 aponta que 64% das violações de política envolvendo dados sensíveis em empresas brasileiras ocorrem via aplicações de IA generativa. A mesma pesquisa mostra um movimento positivo — a adoção de soluções de IA gerenciadas pela própria organização saltou de 29% para 70% —, sinal de que empresas estão migrando de ferramentas “não oficiais” para plataformas corporativas controladas, como o próprio Workspace com Gemini. Ainda assim, com quase 60% das empresas brasileiras sem diretrizes formais de uso de IA, a decisão de adotar automação em escala precisa vir acompanhada de política clara de dados, não apenas de licenças.

Como avaliar a adoção na sua empresa

  • Mapeie quais tarefas operacionais consomem mais tempo das equipes antes de escolher onde automatizar primeiro
  • Defina como medir ROI antes de expandir o uso — é o ponto onde a maioria das empresas brasileiras ainda falha, segundo o IDC
  • Estabeleça diretrizes formais de uso de dados antes da adoção em escala, não depois de um incidente
  • Priorize ferramentas corporativas gerenciadas em vez de uso individual não oficial de IA generativa

O caso do Grupo Dreamers mostra o que é possível quando a automação de IA entra no Workspace com um plano estruturado por trás. Mas a diferença entre empresas que colhem 40% de ganho de produtividade e as 75% que ainda “usam muito pouco” a IA não está na ferramenta escolhida — está em quem trata a adoção como projeto de transformação, com governança e metas claras, e quem trata como mais um aplicativo instalado.