O mercado brasileiro de TI chegou a US$ 67,8 bilhões em 2025, alta de 18,5% sobre os US$ 58,6 bilhões de 2024, segundo o estudo da ABES com a IDC. Para 2026, a projeção cai para 5,3%, contra 9,7% de crescimento esperado para a média mundial. Para quem responde pelo orçamento de tecnologia, o número pede revisão de premissas, não pânico.
O que os números dizem
O crescimento de 18,5% superou a média global de 14,1% em 2025. A desaceleração prevista para 2026 deixa o Brasil abaixo do ritmo mundial projetado (5,3% contra 9,7%). O recorte de software e serviços, divulgado pela ABES, soma US$ 35,4 bilhões em 2025, distribuídos por 41.613 empresas.
A mesma fonte mostra o setor financeiro como maior comprador, com 25,4% desse mercado (cerca de US$ 8,99 bilhões). A IDC projeta para 2026 alta de 5,3% em TI, 3,9% em telecom e 4,6% em Business IT.
Por que a leitura precisa de cuidado
Uma projeção de mercado descreve o conjunto do setor, não o custo da sua operação. Uma queda no ritmo de crescimento da receita dos fornecedores não significa queda de preços nos seus contratos. Também não significa que a demanda por entrega vai ficar mais fácil de atender. O estudo trata de gasto agregado e não detalha, nos trechos públicos que consultamos, o efeito sobre preço de hora, salários ou prazo de contratação.
Vale separar o que o dado sustenta do que é inferência. O dado: crescimento de 5,3% projetado para 2026. A inferência: menos espaço para expansão automática de orçamento e mais pressão por priorização. Essa segunda parte é uma leitura nossa, não uma conclusão do estudo.
Cinco decisões práticas para o orçamento de 2027
- Separe orçamento de manutenção e de transformação. Em ciclos de crescimento menor, a linha de manutenção tende a consumir a de inovação sem que ninguém decida isso. Torne a divisão explícita.
- Renegocie contratos com base em entrega, não em volume. Contratos por hora ou por alocação escondem ociosidade. Modelos com escopo e métrica de resultado deixam a conta mais previsível.
- Revise a dívida técnica antes de abrir novas frentes. Sistemas legados que travam entrega custam mais quando o orçamento deixa de crescer. Modernização incremental costuma caber melhor do que reescrita completa.
- Trate IA como item com caso de uso e métrica. Com verba contida, projetos sem hipótese de ganho mensurável são os primeiros candidatos a corte. Defina o indicador antes do piloto.
- Mantenha capacidade flexível. Um time core enxuto, somado a reforço sob demanda por staff augmentation ou nearshore, permite ajustar o ritmo sem demissões nem contratações em bloco.
O que acompanhar daqui para frente
Dois pontos merecem monitoramento. O primeiro é a revisão das projeções da IDC ao longo do ano, que costuma ser atualizada conforme o mercado se move. O segundo é a composição do crescimento, pois a ABES e a IDC divulgam recortes por segmento e região que mostram onde a demanda se concentra. Compare o seu orçamento com esses recortes, não apenas com o número total.
Conclusão
Um crescimento projetado de 5,3% ainda é crescimento. O que muda é a margem para decisões sem critério. CIOs que chegarem ao planejamento de 2027 com portfólio priorizado, contratos medidos por entrega e capacidade ajustável estarão em posição melhor, qualquer que seja o número final da IDC.
Quer discutir como a Luby pode ajudar a priorizar e executar o portfólio de tecnologia da sua empresa? Fale com a nossa equipe.
